São Paulo, 04 (AE) – No livro “Fragmentos de Um Discurso Amoroso”, Roland Barthes chama de rapto aquele momento em que olhares se cruzam, aquele instante da atração recíproca. Esse é o ponto de partida da peça “Flores Brancas”, de João Fábio Cabral que estréia amanhã (5) no Teatro Crowne Plaza com direção de Fabiana Carlucci e Rogério Harmitt. No elenco, as atrizes Luciana Caruso e Zeza Mota.
Depois do rapto, segue-se a aproximação com todas as suas inseguranças. Será que o outro sentiu a mesma coisa’ O emoção costuma pregar peças nessa hora, o desejo de atrair pode transformar o enamorado num trapalhão. A julgar pela leitura do texto de João Fábio, a graça do primeiro encontro, com seus silêncios, equívocos e inseguranças é o principal atrativo do espetáculo.
Luíza e Vitória encontram-se num fim de uma peça de teatro. Esbarram-se sem querer. Os olhares se cruzam. Trocam e-mails a partir daí e têm o seu primeiro encontro, na casa da primeira. Sim, a peça fala do encontro de duas mulheres. Mas escapa dos clichês das chamadas `peças gay¿. Luíza é cineasta, mora sozinha. Vitória é estudante universitária. Se ambas têm ou tiveram dificuldades sociais, familiares ou pessoais para assumir sua orientação sexual, isso parece já ter sido resolvido. Pelo menos nada disso está em questão.
O que o público acompanha é a delicadeza de um primeiro encontro entre duas pessoas tomadas por forte emoção que anseiam por um passo adiante, mas temem quebrar o encanto. “Fico feliz que a impressão da leitura do texto tenha sido essa, porque foi minha intenção. Eu mesmo já passei por isso, acho que todos passamos, por aquele momento em que o coração bate forte, a gente se sente subitamente apaixonado. Os sentimentos são muito semelhantes, não importa a opção sexual”, diz João Fábio.
SERVIÇO – “Flores Brancas”. 60 min. 18 anos. Teatro Crowne Plaza (153 lugs.). Rua Frei Caneca, 1.360, 3289-0985. Sáb., 21 h; dom., 20 h. R$ 30. Até 31/5.
Fonte: Agência Estado
